27 anos sem Freddie Mercury | Relembre a trajetória do grande vocalista do Queen

Em 24 de novembro de 1991, uma lenda nos deixava. Freddie Mercury, vocalista do Queen, havia perdido sua batalha para uma doença pulmonar, agravada pela AIDS, apenas 24 horas depois de ter divulgado uma carta oficial na qual confirmava seu diagnóstico como soropositivo.

Nesta data triste para o mundo da música, iremos relembrar alguns momentos da trajetória de vida deste carismático vocalista, que teve uma vida que, embora curta, tenha sido tão cheia de brilho quanto ele mesmo.

Muitos não sabem, mas Freddie Mercury era o nome artístico de Farrokh Bulsara, um garoto tímido nascido na cidade de Pedra, em Zanzibar, na África (atual Tanzânia). Mercury viveu entre sua cidade natal e a índia, até que sua família se mudou para a Inglaterra. Foi, inclusive, durante seu período escolar na Índia que o apelido “Freddie” surgiu. Entretanto, foi apenas na década de 1970 que o cantor alterou legalmente seu nome para Freddie Mercury.

Durante o tempo em que estudava Design Gráfico, Mercury fez amizade com os músicos de uma banda chamada Smile, que contava com Tim Staffell (vocalista e baixista), Brian May (guitarrista) e Roger Taylor (baterista). Quando Staffell desistiu da carreira, o jovem Farrokh se ofereceu para assumir a posição e, com isso, assumiu seu “alter-ego” Freddie Mercury, que, ao contrário do rapaz tímido dos tempos de infância e adolescência, mostrava-se carismático, brincalhão e, até mesmo, com um toque de egocentrismo em cima dos palcos, demonstrando a cada show sua incrível presença de palco.

Entretanto, David Wigg, um amigo próximo de Mercury afirmou que “em contraste à sua presença no palco, a menos que ele conhecesse uma pessoa muito bem, ele poderia ficar tímido”. Ainda segundo Wigg, Mercury era tão tímido que uma de suas maiores preocupações era desapontar as pessoas por não ser a mesma pessoa que mostrava ser nos palcos.

Inclusive, no livro “Freddie Mercury: A biografia definitiva”, o cantor é definido como carente, inseguro, de personalidade forte e ávido fã de ópera, astrologia e mitologia.

Pouco tempo depois de ter entrado para a Smile, Mercury insistiu para que o nome da banda fosse mudado para Queen e, em muito pouco tempo, os rapazes começaram a fazer sucesso dentro do Reino Unido e no mundo inteiro.

Uma das principais razões pelas quais as músicas do Queen rapidamente estouraram nas rádios se deve a grande variedade de experimentações musicais, consideradas ousadas na época, pois ninguém mais havia coragem de fazer, como por exemplo a mistura de rock com ópera, que pode ser observada em muitos momentos da banda, inclusive no grande sucesso Bohemian Rhapsody.

Fazendo um estrondoso sucesso, com álbuns que chegavam a liderar as paradas. tanto do Reino Unido como de vários outros lugares, por diversas semanas consecutivas, o Queen foi rapidamente mudando suas locações de shows, de pequenos espaços para ginásios e, finalmente, estádios.

A carreira da banda é marcada por vários momentos com plateias imensas, um deles sendo a participação da banda na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, dando destaque para a icônica apresentação de Love of My Life, que contou com um coro de 250 mil pessoas seguindo os comandos de Freddie, que chegou a comentar que ficou extremamente surpreso, pois só soube de fato que os brasileiros estavam o entendendo quando todas as vozes se uniram para cantar essa clássica canção.

Antes de ser famoso, Freddie conheceu Mary Austin, moça pela qual se apaixonou e teve um relacionamento que durou anos. Entretanto, no momento em que, de fato, tornou-se Freddie Mercury, não foi apenas seu nome que mudou, mas também seu comportamento. O jovem Freddie passou a explorar sua sexualidade e se assumiu bissexual para Mary e, embora a relação dos dois tenha chegado ao fim, eles foram muito unidos até a morte de Freddie, tanto que o músico foi convidado para ser o padrinho do filho de Mary. Além disso, grande parte de sua herança foi deixada para Mary, que, de acordo com a música Love of My Life, foi o maior amor da vida de Freddie.

No final dos anos 1970, tempos em que a AIDS ainda não fazia parte da realidade, Mercury relacionava-se com várias pessoas nos locais onde passava para realizar os shows com a banda. Entretanto, nos anos 1980, a epidemia da doença fez com que a população em geral passasse a se preocupar com sexo seguro.

Entretanto, segundo relatos, Mercury parecia não dar importância para isso e, de acordo com Lesley-Ann Jones, escritora que seguiu em turnê com o Queen durante o auge da fama, Mercury, quando perguntado sobre estar sendo mais cuidadoso com sua vida sexual, respondeu: “Querida, eu estou fazendo tudo com todo mundo”.

Em abril de 1987, durante o auge de sucesso de público da banda (que meses antes lotou duas noites no Wembley Stadium), Mercury recebeu o diagnóstico de que era soropositivo. Com isso, o cantor deixou de fazer shows e seu maior objetivo virou gravar a maior quantidade de canções possível, para que seus companheiros de banda pudessem terminar e lançar após seu falecimento. Porém, Freddie resistiu a doença e viveu por mais quatro anos, tendo lançado nesse tempo mais dois álbuns com sua banda e ainda um em parceria com uma de suas maiores inspirações na música, a cantora de ópera Montserrat Caballé, que nos deixou este ano.

Em maio de 1991, já com sua saúde extremamente debilitada, Freddie ainda trabalhava em mais músicas com a banda e lançou o clipe These Are The Days of Our Lives, que acabou sendo o último do cantor. O vídeo teve que ser lançado em preto e branco pois, embora tivessem tentado esconder as marcas da doença no rosto de Freddie com maquiagem, nada conseguia esconder que o cantor estava, de fato, doente.

Ainda neste mês, Mercury ainda começou a gravar Mother Love, sua última música. Segundo Brian May, Freddie já estava muito fraco e que, embora tenha conseguido gravar boa parte da música, não chegou a gravar o último verso, afirmando que estaria de volta ao estúdio no dia seguinte para terminar a canção, entretanto, o cantor nunca mais voltou.

Em 23 de novembro de 1991, Freddie decidiu que era hora de contar ao público a verdade sobre sua situação médica. De acordo com relatos, ele já não tomava mais os remédios que combatiam os efeitos de sua doença e já aguardava sua morte. Em seus últimos dias, Freddie chegou a perder sua visão, o que tornava difícil até mesmo para que ele conseguisse fazer tarefas simples, como ir ao banheiro sozinho. Em 24 de novembro, não conseguindo mais falar e nem mesmo engolir pedaços de fruta, ele acabou fazendo suas necessidades na cama. Seu companheiro de anos, Jim Hutton, que ficou ao seu lado até seu último segundo de vida, trocou sua roupa e sentiu que Freddie tentava levantar uma de suas pernas para ajudar na tarefa de vestir a calça, mas que logo sentiu que a perna perdeu sua força. Freddie Mercury havia falecido.

Mercury deixou, aos 45 anos, milhares de fãs ao redor do mundo, que até os dias de hoje mantém seu legado vivo, passando-o de geração em geração e influenciando muitos outros artistas. Suas músicas, sua personalidade e seu carisma continuam encantando milhares de pessoas mundialmente e, com certeza, esse efeito continuará acontecendo por muitos e muitos anos.

Obrigado por tudo, Freddie Mercury!

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