CRÍTICA | GLORIA BELL

Gloria, filme chileno de 2013, com direção de Sebastián Lelio, ganhou um remake estrelado por Julianne Moore (Para Sempre Alice) e com o mesmo diretor. A trama se concentra na personagem de Moore, Gloria Bell, que dá nome à obra. Divorciada e beirando aos 50 anos, a mulher de espírito livre frequenta boates para pessoas solteiras, em busca de um homem apenas para dançar. Mas tudo muda quando ela conhece Arnold (John Turturro), um ex-oficial da Marinha, por quem se apaixona e começa um relacionamento mais sério.

O diretor Sebastián Lelio escolheu contar essa história mostrando o cotidiano de Gloria. Assim, só conhecemos os outros personagens quando a protagonista resolve visitá-los ou algo do tipo. Então, antes de encontrar Arnold, acompanhamos os dias de Gloria, em que ela trabalha, faz ioga, visita os dois filhos – interpretados por Michael Cera (Arrested Development) e Caren Pistorius (Negação) –, participa de terapia em grupo, entre outras programações que realiza para preencher o seu dia.

Apesar de parecer monótono, o diretor, e também roteirista, consegue mostrar bem a rotina e os problemas da protagonista. Com isso, faz um resumo de como era a sua vida antes do romance com Arnold. Esse aspecto foi muito interessante, pois o espectador consegue se aproximar mais da personagem e, consequentemente, da história que será contada no filme.

Ao mesmo tempo, quando o relacionamento de Gloria com o ex-oficial da Marinha se mostra mais sério, a narrativa começa a se atrapalhar. Isso porque várias cenas são muito aleatórias e não se encaixam bem no roteiro. Algumas atitudes da protagonista não parecem coerentes, o que não seria um problema se o enredo explicasse minimamente suas razões para tais ações. Mas como nada foi explicado, quem assiste ao longa pode sentir falta de um roteiro melhor desenvolvido.

Outro aspecto que incomoda no filme é a falta de química do casal principal. Julianne Moore até apresenta uma boa performance, pois consegue mostrar bem a alegria e a tristeza de sua personagem, mas sua relação com John Turturro, que interpreta Arnold, não convence o espectador. Isso se deve muito pelo papel de Turturro, que chega a incomodar com suas atitudes possessivas. Além disso, a forma como Gloria lida, na maioria das vezes, com o comportamento de Arnold é incoerente e causa estranhamento em quem assiste.

Porém, no geral, o filme apresenta uma narrativa leve e, apesar de não ter pretensão nenhuma de surpreender, não vai desapontar o espectador. Os 101 minutos do longa passam rapidamente e divertem com a história de uma mulher que não está em busca de um grande amor, mas que quer apenas curtir a vida e dançar o máximo que puder.

3.5

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