CRÍTICA | LEGÍTIMO REI

Baseado em fatos históricos, o mais novo filme da Netflix, com direção e roteiro de David Mackenzie, conhecido por A Qualquer Custo, narra a história de Robert The Bruce (Chris Pine), um homem que lidera uma revolta para conseguir a independência da Escócia perante os ingleses, comandados pelo Rei Edward I.

Como de costume em filmes dessa temática, observamos batalhas impiedosas, em que há sangue para tudo quanto é lado, não só de homens como de cavalos, que são alvo de ataques para atingir a pessoa que o está montando. Dessa maneira, é perceptível a qualidade dos efeitos especiais, que tornaram essas lutas mais realistas. Além disso, o filme não poupa cenas pesadas, em que podemos ver, desnecessariamente, um esquartejamento, por exemplo. 

Mesmo sendo um filme histórico, o longa apresenta características típicas de um romance hollywoodiano, em que se é esperado que o herói e a mocinha se reencontrem e formem uma linda família no final. Assim, é possível perceber um enredo fraco, em que a narrativa não foi muito desenvolvida.

Ao mesmo tempo, um aspecto positivo do roteiro de Mackenzie é a preocupação em mostrar algo semelhante à história real. Dessa forma, a famosa Batalha de Bannockburn, que é considerada um marco histórico, pois ajudou a levar à Independência da Escócia 14 anos depois, é muito bem retratada, o que apresenta um grande acerto no enredo.

Apesar de ter certa química, o casal formado por Chris Pine (Mulher-Maravilha) e Florence Pugh (Lady Macbeth) não é o destaque entre as atuações. Aaron Taylor-Johnson (O Garoto de Liverpool), que interpreta James Douglas, um intenso homem que busca justiça ao nome de sua família, apresenta uma ótima performance. Ele participa das melhores cenas do filme, além de ser um escape cômico em meio a tanta batalha.

Como já é comum em filmes de guerras, existe um vilão, que quer tomar todos os territórios, e um herói, que luta para salvar o povo do seu terrível destino. Porém, Legítimo Rei, de certa maneira, desconstrói um pouco a figura do herói bonzinho, pois ele mata por interesse próprio e luta apenas pelo o que acha justo.

Porém, o aspecto mais explorado no filme é a fotografia. Ficamos deslumbrados com o visual das montanhas e florestas da Escócia. Barry Ackroyd, consagrado diretor de fotografia, conhecido pelo seu trabalho em Capitão Phillips, apresenta lindas imagens, capazes de tirar o fôlego do espectador.

Dessa maneira, Legítimo Rei acerta em alguns aspectos, mas deixa a desejar, principalmente no roteiro. Apesar de ter escalado excelentes atores, o filme não dá espaço para que as atuações sejam desenvolvidas. Ou seja, a nova produção da Netflix tinha tudo para mostrar essa incrível história, mas no final, não alcança tal objetivo.

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