CRÍTICA | MILLENNIUM: A GAROTA NA TEIA DE ARANHA

A adaptação do quarto livro da série “Millenium”, dirigido por Fede Álvarez e roteirizado por Steven Knight, Álvarez e Jay Basu, traz novamente às telas a hacker e criminosa Lisbeth Salander, desta vez interpretada por Claire Foy (The Crown).

Na trama, graças às matérias escritas por Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason) para a revista Millennium, Lisbeth Salander ficou conhecida como uma espécie de anti-heroína, que ataca homens que agridem mulheres. Apesar da fama repentina, ela se mantém distante da mídia em geral e levando uma vida às escondidas. Um dia, Lisbeth é contratada por Balder (Stephen Merchant) para recuperar um programa de computador chamado Firefall, que dá ao usuário acesso a um imenso arsenal bélico. Balder criou o programa para o governo dos Estados Unidos, mas agora deseja deletá-lo por considerá-lo perigoso demais. Lisbeth aceita a tarefa e consegue roubá-lo da Agência de Segurança Nacional, mas não esperava que um outro grupo, os Aranhas, também estivesse interessado nele.

Fede Álvarez (O Homem nas Trevas) apresenta o novo capítulo da Lisbeth Salander nos cinemas, oito anos após o último filme ser lançado. Nos livros, “A Garota na Teia de Aranha” também marcou a estreia de David Lagercrantz como autor da saga. O diretor consegue entregar boas cenas de ação com uma mistura de tensão.

A forma que o filme aborda o abuso infantil vivido pela protagonista e sua respectiva irmã pelo pai, ao mesmo tempo em que é rasa, ela é profunda, porque consegue transmitir toda a tensão vivida pela jovem Lisbeth de uma forma uma pouco mais leve, mantendo o ritmo frenético do longa. Outro ponto essencial que mantém o ritmo do filme sempre interessante, é que ele não perde tempo explorando qualquer momento romântico dos seus personagens, principalmente da Lisbeth Salander. Existem momentos que são demonstrados levemente seus desejos amorosos, mas que rapidamente são substituídos pelo que realmente importa no filme.

Sobre a Claire Foy, a atriz mostra com maestria sua incrível carga dramática nas atuações – não é atoa que já lhe rendeu Emmy, Globo de Ouro e outros prêmios em Hollywood. Sem falar que a atriz assume o manto de duas lendas, não é todo mundo que consegue substituir Noomi Rapace e Rooney Mara de uma forma tão grandiosa. A nítida entrega ao papel e a forma em que Foy esbanja emoções, faz com que o resultado seja uma incrível Girl Power Badass que o cinema merece.

Tirando a deplorável atuação de Sylvia Hoek, que vive a irmã da Lisbeth na trama, o resto do elenco apresenta um ótimo trabalho. Diferente de “Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, que naquela ocasião era interpretado por Daniel Craig, agora o jornalista Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason) possui um papel menor, deixando o protagonismo para Lisbeth Salander – mas não deixa de ter sua importância para a trama.

Para finalizar, “Millennium: A Garota na Teia de Aranha” apresenta um ótimo filme de espionagem ao melhor estilo Tom Clancy, sendo o que a recente série da Amazon  prime “Jack Ryan” não conseguiu ser nem de longa, mas Millennium tem um toque a mais, pois possui uma incrível protagonista e de bônus é interpretada pela rainha Elizabeth, ou melhor, Claire Foy.

3.8

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